Conto Policial
O SONHO e o PESADELO! Um corpo a ser velado,o despertar de um assassino cruél!
domingo, 21 de dezembro de 2008
O ROUBO DAS SETE FACAS
Minha intenção era manter fora do caso, mas a tolice de comprar cigarros do outro lado da rua mudou o rumo dos meus planos, me envolvendo no episódio.
Atravessei a rua e comprei um maço de cigarros, ascendi um e fiquei olhando as belas garotas com os rebolados insinuantes. Levantei os olhos e levei um susto. André, o homem de confiança do chefe, com seus óculos escuro e idiota aproximava-se de passos rápidos. Era tarde demais para escapar.
_ Venha comigo _ disse de rosto fechado, puxando-me pelo braço.
_ Que há? Tenho uma semana de folga. _ disse a ele, amaldiçoando minha burrice.
_ Não tem mais. Por enquanto. As coisas complicaram. Todas as tentativas de recuperar as malditas facas falharam. O chefe quer vê-lo.
Fomos então ter uma reunião de portas fechadas. Lá estava o secretário de justiça, um coronel da policia militar, o delegado Cristiano, civil, dos roubos e furtos. Nosso chefe, o delegado da federal, Fabiano Costa. E mais quatro policiais que estavam envolvidos no caso.
_Estes malditos jornalistas! Estão em todas as partes! Até parece que os bandidos somos nós!
Estava exagerando. Logo ele que era dado em ficar à frente de uma câmera
._ Venha cá Rodolfo, precisamos de você, rapaz. Sabemos que é muito inteligente. -disse me ele, com estas palavras aveludadas.
_ Continua sendo amigo do velho urubu, não?
__ Encontro-o às vezes Se quiser, posso falar com ele. Ele falara com você...
_ Não, não. Fale com ele. Diga que o caso e seu. Faça com que ele dê lá sua opinião.
Lembrei então que havia certa divergência entre ambos.
_ Falaremos de suas férias depois. _ balancei a cabeça. Entendi bem as ordens.
O roubo das sete facas de ouro, do ministério da fazenda, fora uma tremenda dor de cabeça. Um jogo de empurra de lá para cá, acabou envolvendo vários personagens famosos do momento. Quando o caso veio à tona foi um deus nos acuda.
O governador veio à luz para dizer que o caso seria resolvido rapidamente. O secretário da justiça jogou a bomba para nós, os federais. Uma semana mais tarde, estávamos todos reunidos, federais, civis e militares. Oito detetives particulares vasculharam o submundo do crime. Nada. Nem uma pista pequena que fosse foi encontrada. As sete facas que sempre estivera dependurada em uma parede da sala do delegado da fazenda desapareceram como em passe de mágica.
* * *
Procurei então me enfornar sob as tais facas. Uma história então escamosa veio à tona. Em 1888, ano da independência, um antigo dono de uma mina de ouro mandou fazer as tais facas, quatorze aos todas, incluindo um grande facão, um machado e outros apetrechos menores, insignificante para a época. Com a morte do idealista, sete facas passaram para as mãos de filha, que tinha por marido, um coletor de imposto. Trambiqueiro e esperto, logo acumulou uma fortuna, com o dinheiro arrecadado. Em 1912, cometeu um erro fatal, apaixonando-se por uma moça de sociedade, deixando a esposa de lado. Enciumada foi procurar o governador, expondo lhe o caso, falando mais um pouco, do tal desvio do dinheiro. O coletor foi chamado então para dar explicação. Encurralado e com vergonha de ter o nome sujo na praça, principalmente perante a bela e nova namorada, ofereceu as facas para quitar as contas, desde que elas estivessem sempre a vista de quem entrasse em uma sala de coletor de imposto. A proposta fora aceita. Pouco depois elas estavam enfeitando as paredes do gabinete do governador, e dali para ficar sumida por várias décadas, ate aparecer novamente na sala do delegado da receita federal, nos meados dos anos setenta, de onde sumira. Poucos sabiam de seu exato valor. O antigo registro de seu peso real desaparecera com o passar dos tempos. Um antigo zelador, de quase noventa anos foi trazido às pressas para dar sua opinião sob as tais facas de ouro. O que ele disse causou espanto a todos.
“Três quilos e seiscentos gramas de ouro, um quilo de prata, quarenta e dois diamantes de cinco pontos cada. Conheço bem sua história. Limpei-as durante trinta anos!”.
O delegado então pediu silencio. O velho não podia estar dizendo a verdade. Eram apenas uns enfeites baratos, alguns metais pesados com uma leve camada de ouro. Disse ele tentado livrar-se da acusação de irresponsável por ter deixado tamanho valor dependurado em uma parede ao alcance de todos.
_ Conheço bem sua história. _ teimou o velho, que foi mandado pra casa as pressas. Mais era tarde demais. A história caíra nos ouvidos dos jornalistas e o caso saiu e todos os jornais, citado pelo velho centenário.
Uma outra tal história era mais suja que a anterior. Falava que ela pertencera a Pascoal Moreira Cabral. O segundo descobridor das ricas minas cuiabana. Este vendera as para um caçador de índios, por que eles foram realmente caçados nesta época, para a nossa vergonha. Em posse das tais facas ele conseguira então uma manada de cavalos, vinte e uma índias jovem, cento e sete masculinos e mais um bocado de vantagens que nego em dizer. O novo proprietário, como o coletor, se ferrou por não escapar do charme feminino. Apaixonado, fez a besteira de adentrar-se por entre as pernas de uma jovem que era filha de um valentão cercados por mais de trintas de sua espécie. Com medo de
Perder os bagos, negociou a virgindade, pagando-a com as facas.
Seja qual for à história, o fato que agora no presente, ela causava um rebuliço terrível e punha em jogo a eficácia da policia. Doze dias após seu desaparecimento, um telefonema veio a mostrar uma pequena luz no fim do túnel. Era para um alto funcionário do ministério.
_ Querem as facas de volta? Preparem cem mil dólares. _ disse a voz por traz de um lenço dobrado.
_ cem mil dólares? Estão loucos! _ foi a frase mais comentada, após a ligação.
No dia seguinte fui ter com o chefe.
_ E o Morim, achou-o?
_ Sim. Vai me receber esta tarde.
_ Então se apresse. Não podemos falhar desta vez. Nosso nome esta em jogo. Peça para ele ser discreto, aquele safado!
As quatro de tarde encontrei com o Doutor Morim. Trazia na mão uma fatia de mamão. Um pouco mais afastado estava Abraão, com um jornal enfiado no rosto. Afastou-o e me olhou penalizado. Apontou uma cadeira onde me estalei, cansado.
_ Então? Mandaram você, Rodolfo? Aceita uma fatia de mamão?
_ Sim, mandaram. Não. Obrigado.
_ Então falharam...Vocês complicam tudo. E as drogas? Porque não acabam com as drogas? _ Dei de ombros. Não estava ali para discutir falhas no órgão.
_ Já devem estar sabendo a quantia que foi exigida. Cem mil...
_ Sim, sabemos. Estão brincando com vocês._ disse ele maneando a cabeça enfiada na fatia.
_ Brincado? São de ouro maciços, cravados com diamantes!
_ Não diga! Dependurada em uma parede de um órgão público? Hum...! Seria possível? _ ele jogou o resto da fatia em um cesto e pôs-se a andar pela sala.
_ ouviu o que ele disse, meu velho? _ disse ele dirigindo a Abraão.
_ Alguém sabia que as peças eram tão valiosas? _ indagou Abraão olhando para mim.
_ Parece que ninguém sabia. Acreditavam que fosse apenas um enfeite de um metal mais barato, folheado a ouro. _ digo.
_ Sim. Entendo. Mais alguém sabia. E se aproveitou dessa inguinorância.
_ você esta pensando o mesmo que eu? _ ambos se entreolharam em silencio. E depois para mim.
_ Pois bem, meu velho. Vamos ajudá-lo. Por você, Rodolfo. Por você!
_ Obrigado.
_ Comece então trazendo-nos uma planta do andar do onde esta estar estalado o ministério.
__Esta bem. _disse e fui cumprir a tarefa.
No dia seguinte, as sete da manhã, lá estava eu com uma planta na mão esperando os dois. Olharam pensativos.
_ O que tem neste espaço vazio aqui?
_ Um pequeno jardim suspenso. Três por três. Tem dois jarros grandes com coqueiros ornamentais, e dois canteiros com flores. É cercado com grades pelos lados. Não tem saída.
_ Isto não tem importância. _ comentou o Dr. Morim.
_ Sim. O ladrão entrara, pegara as facas e saíra pela portas principal._ comentei sem pensar no que realmente dizia. Em troca, recebi olhares irônicos. _ voltarei depois do almoço. Se não se importam.
_ Vá. Quando voltares, já teremos resolvido o caso.
Saí apressado. Tanta confiança assim no taco, deixava-me desnorteado. As duas da tarde, tive a confirmação, a contra gosto, que era eu o homem de pouca fé.
_ Bem, Rodolfo, seu caso esta quase resolvido. Sabemos onde se encontra as tais facas. Vá e espere novos contatos. Concorde com ele. Negocie sério. Porém, ceda. Vamos pegá-lo.
Na manhã do dia seguinte recebi um telefonema do Dr. Morim.
_ Espere por nós em frente ao prédio do ministério. _ disse ele, enfático.
Encontrei os dois com os jornal enfiados na cara.
_ Os grandes jarros dos coqueiros serão descidos para troca de terras, rapaz. _ disse-me ele passando-me o jornal._ aconselho você a colocar seus homens pelos arredores. Vigie bem estes vasos. Terá o seu homem e suas facas valiosas.
Fiz alguns telefonemas, e para minha surpresa, pouco antes do meio dia, escondidos, eu e mais dois policiais, pegamos o esperto homem. Jogou a colher de pedreiro em que revolvia a terra, para um lado e rendeu-se sem muito trabalho. Tratava-se de um antigo funcionário do ministério.
Pouco mais tarde, nosso chefe, o Dr. Fabiano dava uma entrevista coletiva. Parecia satisfeito quando o encontrei.
_ Muito bem, Rodolfo. Belo trabalho! E o velho urubu, como vai?
_ Vai bem. Mandou-lhe lembrança. _ Menti.
_ É mesmo? Quem entende aquela praga? Pelo ao menos serve para alguma coisa. Que fique para lá. Quero é distancia dele. Se eu fosse você faria o mesmo. Aquele sujeito da azar.
Assenti com a cabeça. Chefe é sempre o chefe. É a primeira lição que aprendemos quando entramos para a academia. De posse de alguns belos mamões, encontrei novamente os dois. Recebi um estranho agradecimento:
_ Você é sujeito esperto, Rodolfo.
Fim.
Benjamim Rodrigues dos Santos.
Assinar:
Postagens (Atom)